Hoje a noite enquanto fazia o lanche da madrugada, enquanto comia bolacha com patê eu pensava em mil coisas interessantes para escrever, coisas interessantes não do tipo sobre o rugido dos tigres, coisas interessantes de frases, pensamentos, mentalidade, tipo de coisa que viralizaria no facebook com uma legenda de Clarice Lispector ou Paulo Coelho, pros mais desentendidos até Arnaldo Jabor. 
     Mas claro, depois de comer minha bolacha com patê e uns goles de nescau gelado (diga-se de passagem que o nescau gelado é dez vezes mais gostoso que o quente e vinte vezes a mais que o morno) eu venho para o meu quarto e antes de escrever, decido tomar banho, tirar todo o suor do dia e deitar confortavelmente na minha cama. Porém claro, como toda boa ideia, se você não anotar ela, de qualquer forma, escrever, desenhar, gravar audio, se filmar falando dela, ela some, porque ideias são assim, para te fazer agir rápido, e se não fizer, você passa um bom tempo se maltratando por não ter anotada ela.
    Mas acho que era algo sobre mudança, e acho que sempre escrevo sobre isso, ou acho que era algo sobre sobrevivência, que de todos os defeitos qualidades que nós temos, o instinto de sobrevivência é o mais estranho, nosso medo, nossa coragem, nosso pensamento, outros sentidos, tudo depende dele, por mais que odiemos a vida, ou ela que nos odeia, por mais que não exista nenhum motivo para a gente querer viver, existe algo nesse instinto de sobrevivência que nos impede de cortar os pulsos ou se atirar na frente de um caminhão, para que continuemos assim, na esperança de melhorar, mesmo sem ter esperança, acredito que isso é até coisa de Deus, vais saber.
    Mas não, não estou pensando em me matar nem nada disso, na verdade estou muito bem de vida, isso foi só um tipo de coisa que pensava enquanto comia minha bolacha com patê e uns goles de nescau gelado (que é dez vezes melhor que o quente e vinte vezes a mais que o morno) e olhava um mosca se batendo no vidro da janela da cozinha.
    Na verdade, estou começando a acreditar que o acaso não é tão acaso assim, coisas boas estão acontecendo, ruins também, mas prefiro acreditar que as boas se sobressaem, mas, distrações (distrações everywhere), coisas que dois anos atrás eu achava impossível como uma ex amiga (não brigamos, só nos afastamos por motivo sei lá o quê) eu achava super bonita e interessante e nunca tinha coragem de tentar nada, nesses dias, depois de um acaso que me obrigou a ir para um canto que eu não queria, mas nesse canto reencontrei ela, voltamos a nos falar e agora as cosias estão indo, e isso me faz tirar minhas soluções problemas da cabeça, para algo talvez mais concreto, por mais que ainda esteja bem abstrato.
    Então acho que a outra coisa que pensei foi no futuro, como eu gostaria que as coisas fossem daqui dois anos, só consegui pensar em bens materiais, não consegui pensar em estilo de vida, ou coisas diferentes, sonhei que eu já tinha minha câmera (aceito doações de uma Nikon D7000 ou similar), que eu tirava boas fotos, que apareciam em blogs, e fotos de casamento aniversario, todas muito no meu estilo, sem pose, fotos do momento, como se congelassem o que meus olhos vissem sem que os outros soubessem que eu quisesse congelar esse momento, por isso, sem pose, tudo com mais vida, mesmo que muitas fossem de objetos que estão no mesmo lugar a mais de meses.... E por isso crianças (imitando o Ted) nunca desvalorize seu momento de bolacha com patê e uns goles de nescau gelado (que é dez vezes mais gostoso que o quente e vinte vezes a mais que o morno).