Acabei de escrever pela terceira ou quarta vez uma carta de despedida - não, não é uma carta de suicido - não porque escrevia e rasgava o papel e escrevia e rasgava de novo, na verdade essa saiu de primeira, mas é a terceira ou quarta vez porque tenho que me despedir de novo pela terceira ou quarta vez da mesma pessoa. Despedir nunca é fácil, ainda mais sem saber se é um adeus ou um até logo, despedir de um amigo é ainda mais difícil, apesar de conhecermos mais de mil pessoas, amigo de verdade a gente conta nos dedos da mão do Lula. Despedir de um melhor amigo é muito mais difícil ainda, pois o melhor amigo é aquele que sabe de tudo, que te entende e conhece suas fraquezas, seus sonhos, seus medos e tudo mais, é com os amigos que você passa seus melhores momentos, mas é com seu melhor amigo que você se abre para os piores momentos ou pros melhores momentos melhores que os melhores momentos. Não é fácil. E é mais difícil ainda quando você ama essa pessoa, porque não basta ela chegar na sua e ser sua amiga, tem que ter um lugar especial só pros íntimos e outro lugar mais especial pros mais íntimos ainda. Não tem como odiar um melhor amigo por essas coisas de ir embora, a gente odeia o universo por fazer a gente sofrer, não gosto muito de mudanças que tenha que realmente mudar algo, gosto só de upgrades, nada que mude necessariamente o modo de vida, gosto de rotina, gosto de saber o que vai acontecer, gosto de surpresas e coisas ao acaso, mas não de mudanças. Eu sofro, esqueço de tudo, me afasto, conheço outra pessoa, me iludo, volto, me apaixono de novo, você volta a gente fica, você vai embora e eu escrevo outra carta. É.... eu gosto de rotinas, menos dessa. Sempre quis saber do futuro, mas gosto da surpresa, mas só queria saber (ou não) mais quantas cartas de despedida vou escrever?